Os Dragões Rei haviam salvado Esdra da escuridão e dos mortos, e todo o mundo lhes foi grato por tal ato.
Uma Grande estátua de Drakien foi construida por Toran como presente dos Deuses para selar o acordo entre eles. Ao redor da estátua foram construidos cinco templos subterrâneos, a pedido dos próprios Dragões Rei. Cada templo era uma homenagem a um deles. Os grandiosos templos levaram centenas de anos para serem construidos e todas as raças de Esdra, exceto os gnomos, colaboraram na tarefa. Diz a lenda que cada um dos templos, na verdade, foi construido para guardar os inimagináveis tesouros de cada um dos Dragões Rei, mas ninguém até hoje conseguiu confirmar o boato pois após o término dos templos, ninguém mais conseguiu descer muito além de seus primeiros pisos inferiores. Dezenas de armadilhas, charadas mágicas e provas foram colocadas nos pisos inferiores pelos Dragões Rei, como uma maneira de testar os exploradores.
Ao redor da estátua se formou uma enorme cidade. A construção dos cinco templos demandou muito esforço e mão de obra de diferentes raças de toda Esdra. A diversidade de raças formou uma cultura única com o convívio de tantos seres diferentes no mesmo local. Assim nasceu a grande cidade de Dragórios, a maior cidade de Esdra.
Drakien exerceu muita influência nos primórdios da cidade. Conhecido como "O Dourado" ele pacificou a região com sua liderança e permitiu o convívio das diferentes raças. Porém, quando os templos foram terminados os cinco Dragões se submeteram ao Acordo dos Dragões e deixaram a região, de forma a extinguir sua influência sobre os mortais.
Drakien desapareceu sem deixar vestígios na época. Ele foi viver no topo das cordilheiras eternas, onde acreditava que nenhum mortal jamais o poderia alcançar.
Drakan fixou sua morada num vulcão ativo, que os habitantes locais apelidaram de "Montanha do fogo". O Rei vermelho construiu para sí um palácio sobre o vulcão e lá permanece até os dias que estes manuscritos estão sendo escritos. Uma cidade chamada Beril se formou devido a sua influência e apenas na região do círculo do fogo o Dragão Vermelho Rei se permite ter alguma influência.
Drakiel, o prateado, escavou uma caverna no meio das cataratas de Marádia, um local praticamente inacessível para a maioria dos mortais e lá adormeceu.
Drakis, o Rei de Cristal, foi viver numa grande caverna próximo aos domínios de seu antigo amigo Eleldar.
Por último, Drakor, o Rei Negro, vôou para o Oriente e lá construiu uma imensa morada. Esculpiu uma montanha na forma de uma grande torre e escavou centenas de túneis. Lá o Dragão Negro Rei viveu em aparente exílio por algumas centenas de anos.
Drakor porém ainda se ressentia com os Deuses. O Dragão Negro Rei tinha consciência da extensão de seu poder e sua morada começou a atrair milhares de mortais que viviam a leste das cordilheiras eternas. Em sua maioria eram orcs, góblins, gnols, trolls, ogros, gigantes selvagens e todo tipo de criaturas violentas. Drakor os acolheu e sua influência os dominou. Passados algumas centenas de anos, a influência do Dragão Negro Rei não mais pode ser ignorada pelos Deuses e Dragões. Drakiel então despertou de seu sono e foi tirar satisfações com Drakor.
Nem mesmo o sábio Eleldar nos soube precisar os fatos que se ocorreram da conversa de Drakiel e Drakor. Sabe-se apenas que Drakiel nunca mais foi visto após voar até a torre de Drakor. Drakis foi convocado por Drakien e deixou o reino sagrado dos elfos para também nunca mais ser visto e Drakan, como dizem ser da personalidade dele, não se importou com os fatos e permaneceu cuidando de sua montanha de fogo. Existem boatos que dizem que Drakan e Drakor fizeram um acordo, mas nem Eleldar nem nenhum outro sábio nos soube confirmar, e o próprio Drakan se negou a resolver o mistério quando perguntado.
O império de Drakor cresceu em tamanho e poder. A região governada por ele logo ficou conhecida como Ar-Akor, a morada da escuridão. Os servos de Drakor se referiam a Ar-Akor como sua fonte de poder, e talvez o fosse. O Dragão Negro Rei impregnou muito de sua força e poder na região, de forma que a própria região adquiriu caracteristicas místicas. Alguns soldados gostavam de dizer que eram "servos de Ar-Akor", nem mesmo mencionando seu senhor Drakor.
Drakor então lançou uma poderosa investida contra o Reino anão nas Cordilheiras Eternas. A força dos anões, aliada com o grande conhecimento das montanhas, permitiram que os exércitos anões conseguissem resistir por alguns anos. O Supremo Dunkar dos anões, percebendo que suas forças não poderiam suportar os ataques por muito tempo, enviou emissários para os reinos humano e élfico que faziam fronteira com seu território na tentativa de obter ajuda. Os humanos responderam, mas os elfos preferiram não acreditar que Drakor estivesse por trás dos ataques e negaram o envio de tropas. Daquele dia em diante, uma discórdia nasceu entre anões e elfos em Esdra.
Dragórios respondeu ao chamado, mas tardiamente. Quando os exércitos dragorianos estavam alcançando as Cordilheiras Eternas, um ataque surpresa tomou uma das grandes passagens anãs no coração das montanhas. A invasão de Ar-Akor havia sido iniciada em Denaroth. Os grandes responsáveis pela tomada da passagem foram os temíveis elfos Drow, que haviam se aliado a Drakor e agora formavam a elite de seu exército.
A guerra então tomou conta do continente. Combates passaram a ser comuns e muitos se acostumaram a viver com a violência. Apesar de a situação não ter sido tão extensa e profunda quanto na era da escuridão, este período de Esdra foi um dos mais violentos. Drakor exercia um poder inimaginável com seu conhecimento e aos poucos os reinos mortais começaram a e prever uma derrota.
Quando toda a esperança parecia ter sido perdida e os exércitos Ar-Akorianos estavam se preparando para cercar Dragórios, surgiu Eriadas!
Chovia naquela tarde. Os exércitos Dragorianos e Ar-Akorianos se encaravam na grande planície Sul. Então, um soldado humano, aparentemente mundano, saiu das fileiras dragorianas e começou a caminhar sozinho na direção do inimigo. Os exércitos do Leste eram comandados por um Dragão antigo e poderoso, porém arrogante. Eriadas então parou à meia distância das fileiras inimigas e desafiou seu general para um combate. O Dragão aceitou prontamente, subestimando o poder do jovem humano.
Eriadas começou a mudar o curso da guerra naquele dia. Matou o general num combate extraordinário. Eu, Temo, estava presente nas fileiras Dragorianas e pude presenciar o poder e a força que corria nas veias do maior herói humano que já se teve notícia. Eriadas derrotou o Dragão e todos pudemos ver o pânico que se passava nos olhos dos soldados das fileiras inimigas quando ele começou a caminhar na direção deles. Um ataque massivo de nosso exército liquidou o pelotão inimigo e aquela foi a primeira vitória de muitas.
Em cada combate, Eriadas desafiava o general inimigo, e o liquidava de maneira teatral. Logo os generais passaram a temer o jovem humano, que lutava à frente da linha de batalha. Seu poder era incomparável em combate e todos os servos de Ar-Akor passaram a temer a simples menção do nome do herói humano.
Muito se escreveu sobre Eriadas. Acredita-se que ele tenha sido escolhido por Zorin para mudar o mundo e acabar com Drakor. Dizem as lendas que ele sonhou com os Deuses, subiu Oriohorin e recebeu a Espada do Dragão para cumprir seu objetivo, certamente a espada que Eriadas portava era incomparável, tanto em imponência quanto em poder e beleza.
Durante a retomada de Arlerin, Eriadas conheceu Niviel, princesa élfica, filha de Lerin, o lendário rei élfico que havia visitado Oriohorin. Eles se casaram e o Rei presenteou Eriadas com uma jóia chamada Lerínia. Eleldar afirma que Lerínia foi a primeira estrela a ser criada no firmamento e foi dada de presente a Lerin por Karin, a Deusa das estrelas e mãe dos elfos.
Eriadas liderou as tropas aliadas até Ar-Akor. Com Lerínia brilhando em seu peito ele chegou até a fortaleza de Drakor e enfrentou o Dragão Negro Rei em pessoa.
Certamente o combate dos dois foi o mais espetacular já visto neste mundo. Lerínia protegia Eriadas da maioria dos poderosos feitiços de Drakor e a força física sobrehumana do herói humano assustava até mesmo os mais antigos dragões que presenciavam o combate. Eles lutaram por dias, e no final Eriadas saiu vitorioso, derrotando um dos mais poderosos seres de Esdra.
O Dragão Negro Rei estava morto, e isso marcou o início de uma nova era em Esdra: A era de Estelária.
- Ledras e Temo -